quarta-feira, 28 de março de 2012

Exorcismos

Sempre digo aos outros que ao falar das coisas que nos incomodam elas adquirem outra perspectiva, e é bom conversar com alguém, bla bla bla ....

Com as coisas que me incomodavam no mais intimo do meu ser, tenho-as calado, temendo que ao falar, elas se tornem reais a tal ponto que as não consiga suportar,  não ser capaz de dar a volta por cima para continuar a viver e deixar viver.

Ontem, do outro lado da secretária, exorcisei alguns fantasmas. Depois, numa esplanada exorcisei outros.

Foi um dia sofrido mas foi um dia bom.


segunda-feira, 26 de março de 2012

Piratas

Tomo firmes propósitos de andar de queixo levantado, de deixar na penumbra o que não quero iluminar  para não ofuscar as verdades merecedoras da minha devoção. mas assaltam-me pensamentos com olho de vidro e cara de maus, tomam o navio do meu estado e desgasto-me a contaria-los.

Faltam-me as armas femininas da partilha com outra, do prisma da amiga, da espada da amiga para combater.
Mas há coisas que não quero desvendar.

Forço o amparo de quem não está apenas no papel de amigo mas que, por isso mesmo, não tem as armas certas para a luta que travo com esses piratas que me atormentam.


sábado, 24 de março de 2012

carrocel de feira

Imaginava a vida como um carrocel mágico. Montados no nosso cavalinho aí vamos nós! Há altos e baixos nesse carrocel, nessa vida, faz e desfaz oitos, mas quando passa no mesmo ponto já vai mais alto, preenchido com novas emoções, sentimentos, conhecimentos, experiências, formando, assim, uma espiral em direção ao céu.

Sinto-me a viver num carrocel de feira: circular. Altos e baixos, vou-os passando e retorno ao mesmo lugar, na mesma dimensão com que por ali passei.


sexta-feira, 23 de março de 2012

primavera

Começou esta semana, a primavera. Não tem data certa para começar, a 21 de março, como aprendi na escola centenária. De qualquer modo, tenho estado fora. Já se instalou no jardim, mas só hoje é que a primavera tem autorização de entrar lá em casa.

E desejo que entre em mim: que o cinzento se faça verde e amarelo, o azul ganhe o brilho do céu e do mar e eu me vista de laranja e vermelho. Entra, primavera, faz favor de entrar!

segunda-feira, 19 de março de 2012

Pai: gosto muito de ti!

Olá Pai!

Hoje, choro a dor da tua ausência e as memórias de mim que levaste contigo.
As memórias de nós, cá estão. E essas, fazem-me sorrir docemente.

Como costumo dizer-te, pelo menos a cada 19 de Março: Pai, gosto muito de ti!


quarta-feira, 14 de março de 2012

escrever

Puxei o teclado para mim para escrever sem destino e lembrei-me, então, de como gostei de aprender a escrever.
Agarrava no lápis com a sofreguidão de um primeiro amor e desenhava traços e círculos numa construção de palavras e logo frases que primeiro significavam coisas, passaram a ser capazes de contar acontecimentos e conhecimento até que puderam ser elas próprias factos, ideias, sentires ...

Depois, nem o martírio do aparo e do tinteiro me abrandaram no prazer da escrita. As nódoas azuis na bata matinalmente imaculada pela lixívia, eram as testemunhas do correr feliz do aparo pelo caderno de linhas vigiado pela sr.ª Dona Lucinda.

E um dia passei a escrever sonhos lindos, parecidos com as histórias que entretanto aprendera a ler.

E escreveram-se diários sem conta: amizades feitas e desfeitas, amores e desencontros, acontecimentos e tudo o mais que fosse digno de registo fechado à chave. Muitas cartas, também: para os primos do Brasil por encomenda da avó, para amigos estrangeiros conhecidos através de outros, emigrantes, postais de férias, de aniversário e, mais tarde, as cartas de amor!
Pelo meio umas contribuições para os jornais da escola, para a secção infantil  da "crónica feminina" cuja editora era a Susana, (que será feito dela?) e para uma revista juvenil que não sobreviveu`a revolução.

O meu pai ensinou-me a escrever à máquina numa Royal, agora objecto de decoração e de memórias. Mais tarde, rendi-me sem grande esforço aos teclados dum Xpectrum, dum  Mac e outros que se lhes seguiram.

Tenho que escrever, no trabalho. E faço-o com agrado.
Mas o gosto da escrita pela escrita, a escrita que nesse prazer me ajuda a encontrar novos sentidos, retomei-o recentemente. Por conselho amigo, logo abraçado.