segunda-feira, 24 de junho de 2013

Shall we dance?

Revia o filme em que uns quantos aprendizes passavam a campeões de dança nuns passos de magia. E deu-lhe uma vontade louca de dançar, dançar, dançar ... começar na sala e sair para o jardim, sempre a rodopiar. Mas hoje, como no filme, era uma dança com par, dançar em braços de homem, neles levitar. Mas para tal não tinha par e, assim, resolveu ver o filme até ao fim.

Outro dia, outro filme, quem sabe, dar-lhe-á uma vontade louca de dançar sozinha e aí far-se-á cisne num canto qualquer.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

solstício de verão

Chegou na madrugada, mostrou o passaporte mas não mais do que isso. Recolheu-se aos seus aposentos, deixando o mundo entregue a si mesmo; precisa de se redimir por ter tentado matar o tempo. Mas não será por isso que se esvaiu, ainda, todo o seu fulgor. Este voltará ... a seu tempo. Podemos, assim, ter verão em novembro.

terça-feira, 18 de junho de 2013

momentos bons, momentos maus

Temos momentos bons e momentos maus, na vida. Fatal como o destino? Talvez parcialmente. Não podemos evitar uma doença, o falecimento de um familiar e outras coisas. Mas...

Estava aqui a ruminar que tenho tido de uns e de outros em grande conta e hoje estava-me a apetecer um momento dos bons. Bom, mesmo, daqueles que não se esquecem, ainda que não se tire fotografias. E constatei que, se o quero, tenho que o fazer.

Quando pensamos em momentos a dois, é mais díficil estalar os dedos e já está. Até a Samantha precisava da boa disposição de Darrin para mexer aquela boquinha feiticeira e criar um programa romântico. Mas basta um para lembrar que precisamos (desejamos) fazer momento dos bons. Com o resto da família, com os amigos, com quem se quer, é igual: temos que fazer.

E fazer é criar, realizar, produzir! E deixar-se estar no momento como um danado de prazer.
E quanto mais momentos bons fizermos, (dos mesmo bons, claro) menos espaço deixamos para momentos maus. Esses, também podemos fazer. Mas não aconselho.

coração de princesa

Intitula-me raínha sua
e ele meu.
Com orgulho reino
a seu lado
num condado ajardinado
onde namoramos
e fazemos magias

mas não é de raínha
o meu coração;
é de princesa que tãobem se encanta
e desencanta
com as flores, as borboletas
as andorinhas da primavera
e o cheiro do mar.

E é no jardim
de todo o seu coração
que quero amar
o meu principe encantado
e desencantado

ser feliz ou ter razão

Como eu gostaria de não ter razão
como seria bem mais feliz ...
mas tenho esta (mal)fadada intuição
que tanto mostra, tanto me diz.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

saudade

Olá Pai. Cá continuas neste cantinho de mim, onde as dores da tua ausência física se transformam em saudade linda. Contudo, fazes-nos falta, ainda tanta! Mesmo agora sei que não dei a devida atenção às tuas advertências e descurei tanto da e na vida de todos nós. Mas cá estamos, lágrimas e sorrisos, berros e gargalhadas, amassos e abraços, naquilo que eu gostaria de fazer numa vida latina. Ouvimos uma música por ti -contigo-, eu e o João. Era das poucas dos Floyd de que gostavas ... wish you were here! Limpamo-nos as lágrimas com afagos e eu digo-te "até logo", em cada vez que eu te desencantar das minhas memórias ou dos meus sonhos.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

na concha

Sem dar conta de início, fui fechando minha concha. E dentro dela me enrolo, me enleio, me atafego. Ganham terreno as compulsões, a desordem, o caos. Estão por toda a parte na casa, na cabeça, no serviço, na carteira.

Escrevo-me pouco e mesmo esse fica engavetado, tal como os sentimentos que escamoteio e as emoções que entravo. Mas não chegarei a cinzas, não desta vez.

A seu tempo, em breve, aqui abrirei o espaço para os escondidos de quase um mês. E, meia a meia, papel a papel, decisão a decisão, tomo conta do que é meu.