quinta-feira, 29 de agosto de 2013

ausência

De novo estive no quieto da noite
a ouvir o teu silêncio.

Hoje era um silêncio de ausência
havia o que escutar, no entanto.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

gostares

De passarinhos entendo tanto como de arte; quando gosto é porque fico fascinada pelos sentidos.
Não é necessário mais explicações.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

manoel, com ó de passarinho

Li Manoel de Barros, ouvi Manoel de Barros e alguns que têm o privilégio de o conhecer.
Voltei a ler; os sentires nunca mais serão os mesmos!

à mesa

As melhores conversas fazem-se à mesa.
Temos grandes conversas de família à mesa da sala de jantar, almoços de negócios e jantares de homenagens, mas as melhores conversas fazem-se em mesas de duas ou três pessoas, por vezes um pouco mais. São aquelas em que muda qualquer coisa dentro de nós: a maneira de entender qualquer assunto; de olhar a pessoa; de escutar uma música...
São as conversas em que nos aproximamos pelas palavras aconchegadas com uma caneca de chá, uma bica, um fino. Estamos nelas debruçados para os outros sobre a mesa da cozinha ou do café sem noção do tempo que passa e do tanto que fica.

sábado, 10 de agosto de 2013

ondas de verão

São ondas meu senhor; são ondas! poderia dizer qualquer santa rainha a propósito dos milagres de agosto.

São ondas de mar com salpicos de saudades; ondas de calor que nos despem até de preconceitos; ondas de desejo; ondas de prazer; ondas de paixão. Assim é o verão. E por entre vagas de memórias mais ou menos distantes chegam-nos aromas aveludados e calafrios escaldantes de um amar por entre ondas de ilusão que chegariam a presentes de uma relação. Mas não. Terão sido apenas ondas de verão.

E qualquer mortal deste lado ocidental com direitos de férias de então que não tenha nunca a elas sucumbido, às ondas de verão, que atire a primeira pedra! assim poderia dizer qualquer cristão, a propósito dos pecados de agosto.

domingo, 4 de agosto de 2013

aniversário de infância

Este é o ano em que os nascidos em 63 chegam à respeitável idade de 50 anos e assim, mês após mês, vai tocando a todos os meus "conterranos" a sineta que assinala o meio século. Hoje foi a vez de uma das poucas amigas de infância que tive, daquela infância antes da entrada na escola, da qual todas as memórias cheiram a rebuçados.
Foram duas, as amigas de infância, numa multidão de desvairados corredores de automóveis, de polícias e ladrões e de jogadores de futebol. A outra amiga era mais nova e reservada apenas a dois meses de verão, a reboque de uma amizade mais verdadeira, essa sim com alguém da minha idade: o irmão. Esta, que hoje pode reclamar o estatuto de senhora, era amiga sem mês marcado e, tal como eu, vivia num povoado de rapazes com quem dividia bolos, tareias e um pastor alemão. Na escola, sentadas por ordem alfabética, lado a lado trocamos lápis de cor, segredos e ideias para as redações.
Aprendemos mais tarde outros requintes da amizade feminina, distinguimo-nos nas escolhas juvenis, pertencemos a grupos diferentes mas que sempre se foram cruzando. Com carinho e o cheirinho dos rebuçados das suas festas de aniversário, lembro-me de lhe dar os parabéns e desejar que encontre a felicidade das risadas que outrora semeamos no vento.