sábado, 30 de novembro de 2013

lembrança

Faz um ano que morreu a minha amiga e o seu número de telefone ainda está na minha lista, reparo.
Hello?! ainda consigo ouvir a voz cantada com que recebia qualquer chamada.
— So long, Isa Fidalgo, princesa das Terras do Ceira!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

nota calada

paira à minha volta
um rumor
faz-se ouvir no silêncio
da nota calada

não sei de onde me chega
mas há dor
esconde-se na ausência
de onda partilhada

quero compreender
esse murmúrio
de vento e de nada

quero entender
quem perto de mim
tem a voz estrangulada


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

sufoco

Hoje é um daqueles dias em que sufoco nas horas.
ponho-me em bicos de pés, abro todas as janelas, procuro-te
mas em vão tento respirar um pouco melhor
o sufoco vem de dentro

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

há dias. hoje não

há dias em que me sinto sufocar nas horas
é, mas não é nada bom de sentir
Ponho-me em bicos de pés para não sufocar
abro a janela mas o sufoco vem de dentro.

hoje não.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

fui andar

Fui andar

Tivesse eu o mar
ao alcance dos meus passos
para lá teria andado
desaguar o olhar

mas não ...

deixei que o sol me levasse
à beira da tua janela
não me viste,
não estavas nela

mas sim ...

ali, vi o dia brilhar

preconceitos

Falávamos de preconceitos, uns de nós assumiam uns quantos, outros afirmavam-se muito "open mind". Quanto a mim, sosseguei logo os telhados dos vizinhos, não seria eu a atirar a primeira pedra. Temos sempre ideias feitas a propósito de pessoas que sejam um tudo ou nada diferentes de nós e da nossa tribo e encaixamos estereótipos que as nossas atitudes, senão as nossas palavras, refletem.

Gosto muito de pessoas de todos os tamanhos, cores e feitios e, à partida, penso que são boas. Logo se confirma ou não a minha (ingénua, dizem alguns) opinião. Mas se não parto do princípio de que as loiras são menos inteligentes ou que os ciganos enganam toda a gente, outros preconceitos se revelam quando menos os espero.

Algum tempo atrás, apresentei-me no hospital com uma marcação para um doutor de especialidade. Na sala de espera, inquirida para que médico "estava" fui alvo de olhares de mal contida inveja e suspiros por parte das clientes da casa: —" ah, que sorte ...". No guichet, a secretária clínica olha sorridente para o papelinho que apresentei e exclama — "ah, o dr. fulano!", entretanto chega a colega para levantar os processos e junta-se-lhe na admiração: — olha que sorte, para o dr. fulano!" E lá aguardei que me chamassem, já quase melhor dos sintomas que me apoquentavam só por estar convencida que iria ser atendida por um veterano craque da medicina. E lá fui confiante até ao gabinete do dr., acompanhada de uma solícita funcionária que fez questão de ir comigo, onde me deparei com um trintão bem encorpado, lindo, moreno e sorridente, qual adónis de bata branca! E eu, a quase"despreconceituosa" dei por mim a pensar:
— sorte o carago; eu a precisar tanto de um bom médico e sai-me na rifa o irmão mais novo do Clooney!"

Não me interpretem mal, eu até sou fã do George e segui durante muito tempo o "Serviço de Urgência" mas naquele momento, o que eu queria mesmo era cura para as minhas maleitas, que não eram da vista nem do coração! E o que passou por esta cabeça foi que se era novo e sexy não seria bom médico. É horrível de se pensar, isto, não é? pois ...

Quero ainda dizer-vos que, apesar da minha pouco saudável atitude, o doutor deu conta do recado.





segunda-feira, 4 de novembro de 2013

sexta-feira, 1 de novembro de 2013