terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Não morras tu antes de mim

Não morras tu antes de mim
que a seguir morro eu
de dor, como todos os que ficam
e de frio, que o meu ser, sendo eu
já não sou eu sozinha e sem ti
de frio treme e adoece

Não morras tu antes de mim
que a seguir morro eu
e não fica nenhum de nós
para manter as nossas memórias
viver as nossas histórias
e sonhar no nosso jardim


sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

enxaqueca

contorço-me em cinzas de dores queimadas
na escuridão de janelas e pálpebras fechadas
no silêncio imposto por palavras sussurradas
na solidão de manhãs e tardes atormentadas

levanto-me, por vezes, mostro que cá estou
mas vou largando o cheiro a flor estragada
a expressão derrotada que a agonia deixou
e em pouco tempo volto à cama cansada


domingo, 12 de janeiro de 2014

cheiro de ternura

Fomos visitar uns amigos e conhecer o recém-nascido.
O bebé adormeceu-me no colo e fiquei deliciosamente imóvel durante mais de uma hora, até que acordou, sempre com a cabeça pousada no meu peito. Assim entrou de mansinho no meu coração e na minha vida.

Ontem fomos vê-lo outra vez. Já não me cabe no colo, tem barba e toca viola no fado, mas assim que nos abraçamos senti o cheiro da ternura daquele primeiro sono que velei.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

nebulosa

do cenário branco solta-se a neblina
que por agora já se fez nevoeiro
e por detras da cortina
o mistério, feiticeiro
chama ... chama ...
e, depois de calado o meu olhar
procura outra janela entreaberta
para então, sorrateiro
poder entrar


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

aguada

aguada é a luz dos meus olhos
espelhos de uma vida
de emoção contida
que solta
agora salta
do pensar sentido
ao olhar salgado