terça-feira, 28 de outubro de 2014

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

o aniversário da Migamana

Querida Migamana:


Hoje fazes anos e eu até gostava de te dizer umas coisas bonitas mas tu depois vais chamar-me todos os nomes que nem no livro do Saramago se encontram, só porque te faço esborratar o Rimmel (sim, porque neste dia aposto que te vais empertigaitar toda)!
Então, e como tenho muito medo de ti, não vou lembrar como "apreciamos a sinceridade destravada com que nos presenteamos e afirmamos a nossa amizade em pequenos e grandes gestos. Não ignoramos os defeitos e os maus feitios; gostamos mesmo assim! Rimos e choramos como umas tolas com as alegrias e tristezas de uma e de outra e não tememos as bocas de quem não entende o que é ser amiga" (tirei da net, Escritos de Ana qualquer coisa)
Como já sabes que não dispenso festa com todos os preceitos a que tenho direito, lá nos encontraremos e, com sorte, ainda levas com uma prenda de que gostes.

Sempre tua, a amiga que te quer bem e isso, pró melhor, pró pior e pró resto

anocas


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

hoje fui eu que voei

Hoje fui eu que voei

Hoje fui eu que voei, Alvarito!

Entrou-me na manhã um rapaz, ali, naquele serviço bafiento a que chamava local de trabalho. Entrou e sorriu antes de falar, olhando-me nos olhos, e eu vi-te naquele sorriso de olhos limpos, quarenta anos atrás! Depois, por entre o seu pedido de informações surgiu o eco da tua voz: - "Anda comigo! Vamos agora ou ficaremos agarrados para sempre a esta vidinha de nada."

Eu fiquei. Fiquei naquele nosso bairro de gente remediada, de onde dia após dia, saía para um emprego que remediava as aparências. Por vezes escapava por uns momentos nos braços de algum amante que me remediasse a solidão de viver entre gente sem ilusões: solteiro, casado, não importava pois nunca poderia ir com ele para casa. Alguns pediram-me, tal como tu: - "Anda comigo!" mas nenhum tinha os teus olhos, da cor da liberdade. E fui ficando ... até hoje, quando o coração foi com o rapaz que sorriu antes de falar e que afinal se chamava Pedro (deve ter alguém que lhe chame Pedrito). Eu levantei-me para o seguir na rua: a ele, a ti, não importa; deixei o casaco cinzento na cadeira onde não penso voltar e corri para o aeroporto.

Amanhã vou entrar no mar e depois compro um vestido azul igual aquele que me abraçaste em jeito de despedida. E voarei para outro daqueles lugares que namorava nos mapas, que agora nada me amarra. O mais certo é que nunca te encontre pois só te procuro nos olhos de rapazes de dezoito anos, mas hoje foi contigo que voei, Alvarito.