quinta-feira, 21 de maio de 2015

imensidão pequena

A  janela abre-se para o imenso num rio que me leva em memórias e desejos. São incontáveis os apontamentos de verde que dançam no vento que hoje se faz muito, à minha roda. 

E, no entanto, este tanto é tão pouco quando imensa é também a espera de um pequeno momento


terça-feira, 19 de maio de 2015

instante

das mãos saem-me flores e riscos
coloridos, todos, de luz e de azuis
voam beijos, risos, trauteios felizes
só porque estou aqui e tu existes


colo macio

calo no colo macio
as desfeitas do dia
faço-me pequenina
para nele caber
sem magoar

durmo no colo macio
sonhos enovelados
fragmentos desejados
sem deles saber
se vou acordar

nasço no colo macio
em cada madrugada
faço-me pequenina
para nele crescer
sem ancorar

segunda-feira, 18 de maio de 2015

marés vazas

Procuras-me no meu vazio
quando anseio a maré cheia
arrastas-me na corrente, forte
desenterras-me da solidão
fria, dura, amarga, feia
e que  já não escondo
Voo para essa imensidão
de marés que desconheço
e que  já não repudio



domingo, 10 de maio de 2015

dias perfeitos

Em demandas tenho partido em busca de relações perfeitas, ou quase. Não as há, sei-o agora e sei-o desde sempre. E no entanto tenho continuado a exigir a mim própria e a todos os que em mim habitam, que saia tudo perfeito, pelo menos nos dias de festa. E no fim do dia ha sempre um gosto na boca a qualquer coisa que faltou.

E há sempre qualquer coisa que falta, qualquer coisa que falha, pois de todos espero demais, de mim também.

Amanhã quero fazer um dia perfeito mas desta vez cheio de imperfeições patetas e receber o que o vento vier semear.

tanto

tanto que ficou por se dar, hoje: beijos, abraços, sorrisos, palavras doces
afastam-nos os segredos, o receio do que fica por dizer
o medo de te perder antes de ter de te perder

tanto que temos dissipado, mãe
tu cada vez mais só, eu cada vez mais longe