sexta-feira, 16 de outubro de 2015

aniversário da migamana ... outra vez!

Maria Sãozinha:

Aposto que estás a espera que eu te escreva uma data de coisas bonitas, e até já puseste maquilhagem a prova de água, mas tira o cavalinho da chuva que este ano até de palavras ando pouca. Lá porque fazes anos e eu sou tua amiga, não penses que me vou por praqui a dizer que gosto muito de ti e que és a melhor amiga algarvia que tenho. Isso é tudo verdade mas este ano não me dá pra isso ...  até porque ando com saudades tuas, de andar e falar, fazer compras só de "olho", como tu dizes, gozar com as tuas tricotagens que depois imito, comer dos teus bolos cheios de canela e amêndoas, enfim ... coisas de comadre com quem se partilha a vida há mais de 30 anos e ... não, não falo das partilhas do facebook que lá é só pra cascar uma da outra.

Desta vez é só Parabéns migamana e vai preparando a festa que fazendo anos à 6ª feira é outro asseio pra fazer os bolinhos com calma e com alma (e açúcar também). Já me disseste que não é esta sexta, a festa, mas a gente espera pela outra, se calhar até é melhor ao sábado que sempre tens mais tempo pra levedar os folares. Olha que não havendo festinha não há prendinha: guardo para dar à minha tia no natal, a jarra de loiça que já comprei. Não te queixes depois ... ah! e tenho umas cenas para te contar sobre os outros compadres que se passar muito tempo depois esquece-me, que isto deve ser das porcarias que agora põe na comida, mas ando muito esquecida.

Um beijo, vá ... dois, já que é dia de aniversário
desta tua sempre ou sempre tua ou assim ...

Maria Ana Paula

PS: olha, esqueceu-me (vês?) de dizer qualquer coisa com "e tudo e tudo e tudo" que tu dizes que já é minha imagem de marca ou lá o que é ... mas fica pró ano, quando eu disser umas palavrinhas sobre o teu aniversário está bem?

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

encanto

Tenho tanto e no entanto
tomara que o meu verde tocasse o azul do mar
aquele mesmo que vou buscar
quando desmaia o colorido de estar
sonhando só no meu canto

Sonho tanto e no entanto
quisera que meus pés fossem da relva à areia
numa inebriante dança brasileira
quando esmorece a música que trauteia
as memórias  de um  encanto

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

pássaros feridos

Desgasta-se em cinzentos pardos
das paredes bafientas, baças
em se deixa ensombrar

Já não os estreia, os dias novos
veste-os sem brio, sem o preceito
que vindo da alma se põe ao peito

Aprisionados, são os pássaros
que em si habitam e cujo canto
no meu canto, desisto de escutar