segunda-feira, 16 de novembro de 2015

outonos

São quase seis da tarde e estou no meu canto, aquele onde faço as pazes comigo e com Deus. Caem as folhas cor de outono diante de mim e não consigo evitar a corrente analogia entre as estações do ano e as da vida; seria agora outono para mim. E no entanto, eu sinto-me em todas as estações, sim, até no inverno quando a saudade se tinge de cinzento e me chovem os olhos. Mas logo mais renasço a uma lembrança tua e danço na relva verde, com a lua.

Hoje, a  minha alma veste-se deste outono incerto, ameno, lindo.
Penso em ti.


domingo, 15 de novembro de 2015

Laços


Temos laços que não  sabemos onde começaram, simplesmente se fizeram como mãos que dão a volta ao coração. Aproximam-nos sem nos prender e por pequenos gestos mostram o quanto estamos ligados: gostos e desgostos partilhados; cumplicidades; generosidades;  quase nadas que se tornam preciosidades.

Atamos os laços com cuidado para que não se façam em nós, mas, quase sem sabermos como, a cada dia passado mais umas laçadas foram dadas e agradecidas. Acariciamo-las, então, e desembrulhamos os sentimentos como grandiosos presentes. Rimos a uma só voz, brincamos, sonhamos, abraçamos, por vezes choramos. Sobretudo gostamos, amamos.
E novos laços se fazem no acontecer das vidas.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

vinte e tal anos

Temos vinte e tal anos anos e alguns enganos. Olhamo-nos docemente sempre que apanhamos os outros distraídos e procuramos-nos com pressa depois de todos saídos. Tu mimas-me como a uma princesinha e eu derreto-me, qual adolescente. Então tu tocas-me, já homem quente, e eu faço esvoaçar as borboletas para em ti me entrelaçar com sentidos de mulher. Mais tarde sonhas comigo e eu embalo-me no perfume de todas as rosas com que coloriste este querer.

Temos vinte e tal anos e, sem promessas, acreditamos.