quarta-feira, 20 de julho de 2016

neurose


para ninguém estranhar
para que não se diga que me perco nas teclas
que se mantenha a imagem de que escrevo histórias
a história de que um dia serei escritora
escrevo, escrevo sem parar

escrevo, escrevo e não digo nada
porque o que tenho para dizer aqui não cabe
é grande, é imenso, mal me cabe no pensamento
assim, debito frases contra o tempo
Escapam-se-me das mãos, as palavras

escrevo, digo, conto sem falar
como não entendem abro mão do sentimento
sei que nada mais será como antes
mas tudo pode ser alguma coisa
depois de lido o que deixo por contar



sábado, 9 de julho de 2016

uma vida

uma vida
vida esperançada
em abraço oferecida
em repúdio renegada

ontem pétala querida
amanhã flor enjeitada
é a vida ...
a vida não cuidada