domingo, 29 de janeiro de 2017

agora é quase sempre janeiro

Há um rumor de nostalgia onde dantes havia magia. Esconderam-se os santos em jornais de notícias velhas, ofuscaram-se os brilhos com papel pardo, apagaram-se as luzes. Agora é quase sempre escuro.

Batem à porta,  batem-me à porta muita vezes, mas a aldraba tem pronúncia de desgraça. Por entre vidros embaciados e olhos toldados chegam as vozes do desgosto. A ceifeira, matreira, anda à solta apontando sem critério. Encontro-me de novo num cemitério. Tremo, agora é quase sempre frio.

Caem  da noite lembranças sem estrelas  de janeiros passados.  Tento passar despercebida enquanto espero. Agora estou quase sempre à espera.